Inquérito: confia em algum destes programas de debate futebolístico?

Actualização ao caso dos "vouchers" do SLB, que continua em investigação



O site do jornal Record publicou uma análise ao caso dos "vouchers" do SLB. O assunto ainda não "morreu" uma vez que correm investigações. Aqui ficam as transcrições de respostas a várias questões:

O que é o caso dos vouchers?

O assunto foi colocado na ordem do dia por Bruno de Carvalho, que durante o programa 'Prolongamento', da TVI24, a 6 de outubro do ano passado, revelou que o Benfica oferecia a todos os árbitros, delegados e observadores que iam aos jogos das águias em casa (incluindo da equipa B), um 'kit' de cortesia com a oferta de uma camisola de Eusébio e de quatro jantares no restaurante Museu da Cerveja. "Só em jantares, por ano, deve rondar 140 mil euros. Em prendas, deve rondar um quarto de milhão de euros", acusou.

Como reagiu o Benfica a essa acusação?

O Benfica confirmou que dava essas prendas a árbitros, delegados e observadores, mas garantiu que os jantares tinham um limite de 35 euros por pessoa e eram limitados a pratos do dia.

E os árbitros?


Confirmaram que o kit lhes era entregue na Luz mas todos eles garantiram que nunca recorreram aos jantares.



O que fizeram FPF e Liga perante a denúncia?

A Federação pediu abertura de um inquérito ao Ministério Público, enquanto a Liga fez o mesmo ao Conselho de Disciplina, que remeteu a investigação para a Comissão de Instrução e Inquéritos (CII).

Quem foi ouvido no inquérito da CII?

Bruno de Carvalho e Luís Filipe Vieira prestaram declarações em novembro. Observadores, delegados e os árbitros também responderam sobre o assunto, sendo que estes últimos (no total de 180) disseram todos os mesmo: que recebiam prendas do Benfica como de todos os outros clubes e que nunca nenhum sentiu que era uma tentativa de aliciamento.

Não há aqui excesso de cortesia?

Qual foi a decisão da Justiça desportiva?

A CII decidiu arquivar o processo a 27 de de janeiro, levando a recursos de Sporting e Benfica. Os leões pretendiam castigo para o rival; as águias queriam que Bruno de Carvalho fosse punido por lesão da honra e reputação. A 22 de março, o Conselho de Disciplina (CD) confirmou o arquivamento, sucedendo-se novo recurso de ambos os clubes para o pleno do CD. A 1 de junho, era confirmado novo arquivamento para ambas as queixas. Foi a última ação no âmbito da justiça da Federação.

O processo ficou aqui encerrado?

Não. Ainda durante o mês de junho, tanto águias como leões recorreram ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAD). As queixas mantêm-se: o Sporting não se conforma que o caso dos vouchers não tenha resultado em castigo para o Benfica; as águias defendem que Bruno de Carvalho deve ser punido por lesão da honra e reputação do clube.



Ponto 1 - é verdade os árbitros confirmaram que receberam o kit.

Ponto 2 - será sempre difícil provar se os árbitros não jantaram no restaurante. A questão não é se os árbitros recorreram ou não recorreram ao jantar. O problema é que ele estava incluído no pacote, e isso é um facto.

Ponto 3 - Bruno de Carvalho não fez uma acusação formal de tentativa de aliciamente. Limitou-se a apresentar um facto nos meios de comunicação, cabendo à Justiça cumprir o seu papel, isto é, investigar se houve ou não aliciamento.

Ponto 4 - O SLB acabou com os vouchers ou continua a querer desafiar a ética? Se acabou então porque o fez, uma vez que foram considerados "lícitos"? Peso na consciência?

A PJ realizou diligências de recolha de prova na Luz - justiça desportiva vs justiça civil

Link (notícia JN 19 outubro)

Na passada terça-feira, os inspetores da PJ foram ao Estádio do Benfica e apreenderam documentos no departamento financeiro, segundo o Correio da Manhã (edição para assinantes)... Uma fonte oficial garantiu porém que foram realizadas “diligências de recolha de prova” por parte de uma equipa da Unidade de Combate à Corrupção da PJ com o acordo do Benfica. (in observador)

Após estas "diligências pela PJ, o SLB emite um comunicado onde diz que "quando tomou conhecimento sobre o conjunto de insinuações e acusações proferidas pelo presidente do SCP no programa “Prolongamento” da TVI 24, no dia 5 de outubro de 2015, o Sport Lisboa e Benfica, por sua iniciativa expressa e pronta, solicitou à Federação Portuguesa de Futebol que remetesse uma participação às instâncias competentes, visando promover a averiguação da situação referida no mais curto espaço de tempo."

Bruno de Carvalho referiu em conferência de imprensa que não foi a SAD encarnada que deu origem à investigação da Polícia Judiciária no estádio da Luz. «O Benfica não pediu para averiguar nada. O Benfica fez uma queixa contra mim à Federação, a Federação mandou para a Liga, perderam na Liga, fizeram recurso para o Conselho de Disciplina, perderam no Conselho de Disciplina, fizeram um recurso para o Conselho de Justiça, perderam no Conselho de Justiça, e agora fizeram um recurso para o TAD, que está a correr. Nada do que foi desencadeado partiu do Benfica, nada do que está a decorrer partiu do Benfica e espero que continuam a levar-se as coisas até às últimas consequências.»

Será sempre problemático para a justiça desportiva caso a justiça civil decida aplicar uma sanção neste caso. É que para a justiça desportiva o caso foi "arquivado".

Imaginemos que o montante das ofertas prefazem os 250 mil euros anuais, multiplicando por 2 épocas dá 500 mil euros. Ora despesas com árbitros deste montante equivalem ao orçamento de muitas equipas da 3ª divisão juntas. Até pode ser lícito mas onde está a ética no meio disto tudo?



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