Inquérito: confia em algum destes programas de debate futebolístico?

A "prepotência" do conselho arbitragem da FPF - os castigos às críticas a erros de arbitragem



Em pleno século XXI qualquer instituição pública ou privada que faça parte de uma democracia moderna e salutar deve sempre ser escrutinada e sujeita a críticas, quando seja necessário, para se evitar "abusos" de poder.

Quando se verifica a publicação de legislação de forma a proteger essas mesmas instituições das críticas então estamos perante um cenário de alguma "prepotência". O caso do futebol português é um exemplo de como a democracia ainda não atingiu o seu estado de maturidade.

Quando uma instituição, qualquer ela que seja, age de forma errada deve ser justamente alvo de críticas. Quem procura censurar essas críticas está a exercer o seu poder num sistema anti-democrático. Nas ditaduras as pessoas são acossadas ficando mentalmente adormecidas. Mas chega o dia em que acordam.

Os árbitros não podem ser alvo de críticas? Ou a censura como forma de exercer o "poder"?

Isto tudo por causa da FPF e do seu conselho de arbitragem (CA) que vão implementar em 2017 novas regras de forma a castigar quem ouse criticar as arbitragens, mesmo que tenha razão para tal. Entrámos em terreno minado. Ao contrário de tudo o resto, o futebol é uma ilha em pleno século XXI ao apresentar-se como uma excepção onde não se podem fazer críticas aos júizes.

Porque é que os árbitros, tal como os jogadores e treinadores e outros intervenientes do mundo do futebol, devem ser alvo de críticas? Pelo simples facto de uma decisão errada de um árbitro poder ditar, injustamente, o resultado final de um jogo. Um erro de um árbitro pode, injustamente, custar a derrota a uma equipa. E vários erros acumulados na mesma época podem ditar, injustamente, o vencedor de uma competição. Procurar censurar as críticas aos erros com castigos e punições é próprio de regimes absolutos.

O presidente do CA da FPF, José Fontela Gomes, fez questão de afirmar este novo "poder". "Infelizmente, muitos treinadores e dirigentes continuam a bater na tecla do desempenho do árbitro para explicar derrotas ou empates frustrantes...Quem, como nós, analisa o trabalho dos árbitros em todos os jogos sabe que não é assim...Em 2017 não vamos permitir que a dignidade e a honra dos árbitros seja colocada em causa. Em 2017 quem passar essa linha terá de ser responsabilizado". Foram estas as palavras do presidente do CA para procurar defender os juízes.

Só o CA é que tem capacidade para julgar o trabalho de um árbitro? E quem são os técnicos que dão a pontuação aos árbitros?

O presidente do CA afirma também que "o CA vê todos os jogos das competições profissionais, o que lhe permite ter uma opinião global - algo que mais ninguém possui - sobre os trabalho das equipas de arbitragem. O visionamento é feito por técnicos especializados e actualizados." Parece algo prepotente mostrar que só os técnicos do CA é que tem capacidade para julgar o trabalho de um árbitro.

Como quantificar os custos dos erros de arbitragens na atribuição de títulos?

Para quem é presidente do CA da FPF é muito fácil e compreende-se que se coloque na posição de defesa daqueles que representa, ou seja os árbitros. O que não se compreende é querer defender situações de injustiça ou erros que podem custar resultados de jogos e atribuições de títulos. E que tal colocar-se na posição de treinadores, jogadores, presidentes e adeptos? O árduo trabalho de jogadores e treinadores pode ser posto em causa por erros dos árbitros. Por isso estes devem ser alvo de justas críticas, quando necessário. Um erro pontual é admissível e é legítimo os árbitros errarem. O que não é admissível é o saldo no final de uma competição ser mais positivo para uns e mais negativo para outros e durante anos seguidos.

Desfazer mitos

Só em ditaduras é que se procura manter uma certa áurea de ingenuidade no ar para dar a entender que as coisas acontecem sem percalços. Por exemplo durante o horrendo período nazi de extermínio de judeus em massa havia quem continuasse a fechar os olhos e a negar que isso não acontecia, tentando sucessivamente manter um mito propagandista.

Quem deveria fazer queixa às autoridades: juízes ou adeptos?

Seguindo a mesma lógica de árbitros que se sentem "incomodados" e vão fazer queixa às autoridades ou à cúpula que gere a arbitragem, os adeptos também têm o direito a ir fazer queixa a essas mesmas autoridades ou até aos tribunais por se sentirem lesados por erros grosseiros de árbitros e com a agravante de esses mesmos juízes terem recebido notas "brilhantes" na avaliação a esses mesmos erros.

Factor de aleatoriedade do futebol em questão

Não se pode dissociar erros de arbitragem dos resultados finais dos jogos, independentemente das equipas jogarem bem ou mal. No futebol não há justiça. Nem sempre ganha quem joga melhor. Ganha quem marcar de forma legal. É o factor de aleatoriedade. Dissociar os erros de arbitragem e afirmar que clube A ou B mereceu ganhar é eliminar o factor de aleatoriedade, coisa que muitos comentadores gostam de fazer para justificar a supremacia de determinado(s) clube(s).



Questão a propósito do vídeo-árbitro: o fim do poder absoluto dos árbitros

E se um dia um árbitro for alvo de críticas por ter sido obrigado a corrigir uma decisão errada que tomou durante um jogo após imposição do vídeo-arbitro? Quem o criticar também será castigado?



Sem comentários:

Enviar um comentário

NOTA: não serão aceites insultos, difamações e especulação propagandista. Comentários podem demorar um ou mais dias até serem validados e publicados.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...